Em Santa Cruz, no litoral norte do Estado do Espírito Santo, o encontro das águas do Rio Piraquê-Açu e Piraquê-Mirim com as águas do mar, formam um grande complexo costeiro-estuário, margeado por uma das maiores áreas de manguezal da América Latina, abrindo em uma extensa barra de rara beleza e com uma rica biodiversidade.
É comum ao longo de toda essa região, a ocorrência de couraças calcárias (rochas sintetizadas por pequenos animais a partir de CaCO3, extraído da água, com características muito semelhantes aos corais,) as quais se agrupam próximas a ambientes estuarinos, formando enseadas e remansos, abrigando uma imensa variedade de formas marinhas, que delas dependem como local de alimentação, reprodução e crescimento.
As tartarugas que desovam em Comboios - Projeto Tamar - aí o fazem devido a extensa faixa de arrecifes, existentes na região de Santa Cruz, utilizada como principal área de alimentação.
A área de litoral em mar aberto, naquela região, constitui-se como uma das principais zonas pesqueiras do país, estando pois esta produção de pescado instrinsicamente relacionada à preservação dessa zona de arrecifes litorâneos, como é conhecida.
A riqueza do nosso litoral também é responsável por sediar campeonatos internacionais de pesca oceânica.
A região é utilizada como área de abrigo e local de alimentação e reprodução da Sotalia fluviatilis . Grupos compostos em média por 6 indivíduos desta espécie , da variedade marinha, são diariamente avistados em locais próximos as coordenadas 40°06’60” W/ 19°57’00” S, na entrada da barra do Rio Piraquê-Açu.
Dependendo de fatores bioecológicos que precisam ser mais bem abservados, tais como, nível da maré, condições climáticas, concentração sazonal de presas, trânsito de embarcações, dentre outros, é comum o avistamento de grupos variando de 2 a 6 indivíduos que adentram aquele estuário, alguns Kms acima, exibindo comportamentos de acasamento e estratégias de pesca, próximo às margens.
Este comportamento da espécie subir o rio é relatado pelos mais antigos moradores da localidade, incluindo nativos indígenas que habitam as margens do Rio Piraquê-Açu, que atestam a ocorrência dos "Botos" na região, desde tempos remotos, cultivando uma antiga admiração e respeito para com esses cetáceos, como se fossem animais cativos, chegando até mesmo a reconhecê-los individualmente.(texto extraído da proposta do Projeto Boto Marinho, de autoria de Lupércio Araújo Barbosa - Instituto Organização Consciência Ambiental - ORCA ).